A vocação artesanal de Amélia Tarozzo

A vocação artesanal de Amélia Tarozzo

É preciso ter sensibilidade para trabalhar com a madeira e extrair dela o seu melhor respeitando as características essenciais do material. Esse talento natural parece acompanhar a designer Amélia Tarozzo desde o início de sua carreira. Dona de um traço ousado e criativo, que muitas vezes quebra padrões, a profissional se consolida como um dos grandes nomes do cenário do design brasileiro contemporâneo. E o mérito não é à toa: em menos de dez anos desenhando móveis, Amélia ostenta uma grande lista de peças aclamadas pelo mercado, como a luminária Lumiére ou a mesa Ballerina.

A GP Life Decor também é fã do trabalho da designer, por isso a convidamos para um bate-papo sobre suas referências e criações mais recentes. Quem se apaixonar pelos móveis abaixo pode encontrá-los em nosso showroom ou solicitar os itens sob encomenda.

decoracao-amelia-tarozzo-design-brasileiro-gp-life-decor

GP Life Decor – O que define a assinatura Amélia Tarozzo?

Amélia Tarozzo – Um trabalho feito com amor, para pessoas reais, sempre buscando um desenho criativo e ergonômico que resulte em móveis duráveis, agradáveis aos olhos e ao toque.

GP – Como você enxerga o crescimento do cenário do design brasileiro nos últimos anos?

AT – Como uma grande possibilidade cultural de ampliar o acesso das pessoas a projetos de móveis e produtos bem pensados e estudados, viáveis social e economicamente, além de ecologicamente sustentáveis.

GP – Qual foi a primeira peça que você desenhou? Como foi essa experiência de unir o projeto (lado mais poético e criativo) com as necessidades reais da execução (parte prática)?

AT – Ainda na faculdade projetei uma chaise. Foi uma peça particularmente ousada para uma garota de 20 anos. Misturei 3 materiais: pele de vaca, ferro e MDF laminado. A estrutura toda era em balanço e torná-la estável foi um grande desafio. Quis fazer uma peça para repousar, quente, macia e que tivesse um leve balanço. Fabricá-la foi uma aventura. As bases cortei e laminei na oficina da faculdade, o assento costurei com um seleiro do Jockey Clube e a estrutura metálica fiz em um torneiro mecânico.

GP – Qual a maior diferença entre criar uma peça que será fabricada artesanalmente e uma peça industrializada?

AT – Custos, sem dúvida. Uma peça industrializada, feita para ser produzida em larga escala, deve ser pensada sempre levando em consideração a viabilidade econômica. No processo artesanal a liberdade de criação e de uso de materiais é maior.

GP – De onde surgiu seu interesse pelas técnicas de encaixe da marcenaria antiga? Como se especializou no assunto?

AT – A marcenaria no Brasil ainda hoje é majoritariamente artesanal, pois carregamos esta rica bagagem dos imigrantes portugueses, alemães e italianos que nos trouxeram técnicas antigas de encaixe. Me apaixonei por elas em um curso no Ateliê da Madeira em São Paulo, onde tive a possibilidade de começar a fazer minhas próprias criações.

GP – Você busca referências em outras áreas para criar? Como costuma funcionar o processo criativo?

AT – Sempre. Na arquitetura especialmente, porque meus traços são bastante geométricos. Mas também na moda, na arte e até mesmo na natureza, um formato de um animal, de uma rocha… as referências estão aí, há poesia em qualquer lugar, baste saber enxergar, não apenas ver.

Meu processo criativo parte algumas vezes de um briefing de um fabricante, mas quase sempre inicio minhas criações ao acaso, em um caderno de desenhos faço os croquis e na sequência um 3D eletrônico.

GP – Que tipo de móvel você mais gosta de desenhar?

AT – Mesas em geral, mas também adoro criar peças mais lúdicas para o universo infantil, como o berço Piccolina Rachele que fiz para minha filha.

GP – Você costuma usar madeira em suas peças, porém existe algum material que tem curiosidade de explorar ou que pretende usar no futuro?

AT – Sim, sou uma curiosa de nascença! Tudo me interessa. Atualmente estou trabalhando com aço e madeiras raras de demolição do mundo todo. Este projeto tem me encantado muito. Meus próximos “alvos” são a cerâmica e o inox (talheres), quero muito começar a trabalhar com estes materiais.

GP – O arquiteto brasileiro que você mais admira é… 

O primeiro que me vem à cabeça é Oscar Niemeyer claro, nosso maior gênio da arquitetura nacional. Mas atualmente os que mais admiro são Fernando Forte, Lourenço Gimenez e Rodrigo Marcondes Ferraz, do grupo FGMF. Os admiro pela ousadia de suas criações, não temem os limites e buscam fugir sempre do obvio. Também pela forma como enxergam o entorno e pousam suas obras com o maior respeito.

GP – O que é que o design brasileiro tem que os outros não tem?

AT – Bossa!

GP – Quais são as suas peças mais recentes? Comente um pouquinho sobre elas.

AT – São peças de tiragem limitada feitas para a Mollo Furniture. Mais conceituais, talvez com status de design arte. Mesas e bancos com tampos de madeiras de espécies raras de demolição, como imbuia e piopo italiano, tudo 100% certificadas e com medidas fora do padrão. A última está em produção e deve ser lançada durante o Design Weekend, com base em ferro e latão e tampo maciço oval de roxinho, pesando quase 400kg, cortado na diagonal medindo 400 x 100 cm. Serão apenas duas unidades, verdadeira raridade para apreciadores de madeira e design.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s