A veia criativa de Bruno Faucz

A veia criativa de Bruno Faucz

A trajetória profissional do designer Bruno Faucz é um pouco fora da curva. Antes de abrir seu próprio estúdio, inaugurado em 2013, ele trabalhou na indústria moveleira durante 7 anos, o que lhe garantiu uma importante bagagem e uma visão mais objetiva em relação às etapas de produção de cada item. No entanto seu lado criativo acabou falando mais alto e Bruno logo chamou a atenção do mercado com suas peças elegantes e repletas de detalhes minuciosos – não à toa, ele foi convidado a expor nas semanas de design de São Paulo, Nova York, Paris e Milão. Uma de suas últimas conquistas foi o prêmio Salão Design, recebido pelo desenho da poltrona Solo, lançada no ano passado.

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O acervo da GP Life Decor possui diversas peças assinadas por Bruno, como a mesa de centro Quadra, a poltrona Cora e a luminária Lume, por isso resolvemos bater um papo com o designer para saber um pouco mais sobre o seu processo de criação e suas fontes de inspiração. Confira a entrevista completa após nossa seleção de produtos.

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GP Life Decor – O que define a assinatura Bruno Faucz?

Bruno Faucz – Um trabalho minucioso de alguém apaixonado por detalhes que pensa em cada etapa do processo do produto, da fabricação até sua chegada à casa das pessoas, e que compreende as questões industriais e busca balancear estes universos criando desenhos que conquistem o olhar.

GP – Você trabalhou durante muito tempo em uma fábrica de móveis. Como esse conhecimento das etapas de produção te ajuda hoje no desenvolvimento das peças?

BF – Os 7 anos dentro da indústria me ajudaram a amadurecer o conceito de “o que é design?”, me fazendo entender que ele vai muito além de um belo desenho e que não apenas o conhecimento técnico é importante, mas também que o mercado tem informações preciosíssimas para fomentar a criatividade. Ainda sobre as questões técnicas, considero fundamental que o designer domine a engenharia, caso contrário o profissional corre o risco de entregar problemas e não soluções. Em um mundo tão dinâmico, que empresa irá pagar para receber problemas?

GP – Você busca referências em outras áreas para criar? Como costuma funcionar o processo criativo?

BF – O processo criativo é algo interessante, pois não é nada linear, é um caos organizado onde absorvemos informações dos mais diferentes campos de conhecimento. Precisamos interpretar essas informações para aplicá-las em nosso dia a dia. Costumo observar tudo o que está à minha volta, mesmo o que não faz parte do universo ‘casa’. Jonathan Ive, designer da Apple, diz em um documentário chamado Objectified: “Sofremos de uma espécie de maldição, pois estamos constantemente projetando, já que nossa mente questiona tudo que está ao redor. Estamos sempre nos perguntado Como isso é feito?, Como seria se fosse em outro material?, Dá para agregar mais alguma função?…”. Concordo demais com isso. Ao menos posso dizer que eu sofro desse ‘mal’, pois assim estou sempre sendo instigado a pensar em coisas novas.

GP – Qual o maior desafio durante a criação de uma nova peça?

BF – Cada peça desenhada é uma limitação para a próxima que virá, uma vez que não posso repetir um desenho já feito. Por outro lado, a cada novo produto descubro melhor o comportamento do mercado, logo tenho informações de como aperfeiçoar o próximo projeto. Talvez o maior desafio seja interpretar as informações colhidas e incluí-las adequadamente no momento em que estou gerando as ideias.

GP – Como consegue determinar se uma peça tem apelo comercial ou se precisa de ajustes antes da execução?

BF – Costumo comparar as minhas peças com o que já está disponível no mercado, faço comparação desde as questões estéticas até o preço, assim consigo entender como o produto estará posicionado e se ele será uma boa opção para os consumidores. Algo que considero primordial é conquistar o olhar do espectador, ele precisa se apaixonar pela peça, o design precisa gerar desejo, acredito que este último é o principal desafio. Obviamente não há como mensurar com exatidão isso antes do lançamento, é uma questão que tem uma porcentagem de intuição também, mas um produto só sai do âmbito do desenho se as pesquisas e a intuição indicarem um caminho de sucesso. Muitas vezes não indicam, então alguns projetos vão para o arquivo. Criar exige suor, desenhos e mais desenhos.

GP – Entre todas as peças que já criou, você tem algum produto preferido?

BF – Não consigo definir um apenas, seria mais ou menos como indicar um filho preferido. Cada peça tem algo especial. Para citar algumas tem a poltrona Canela, que faz parte do livro ‘Design Brasileiro de Móveis’; a poltrona Vip, eleita como um dos principais destaques da ICFF em Nova Iorque pelo famoso blog Design Milk; a poltrona Cavalera, exibida na expo ‘Finding the perfect chair’, em Paris; e a poltrona Solo, premiada recentemente.

GP – As criações brasileiras têm sido cada vez mais exaltadas no exterior. Como você definiria o design nacional nos dias de hoje?

BF – O desenho brasileiro é quente, tem alma, conta histórias… vejo que é isso o que tem conquistado o mundo. Temos um gingado único, ninguém tem o mesmo samba.

GP – Você sente que o consumidor brasileiro também está ficando mais crítico em relação ao design?

BF – Acho que sim. As pessoas estão compreendendo melhor o que o design representa, vendo que o produto assinado não é apenas bonito, mas é também confortável e pode tornar a vida mais agradável.

GP – Você tem algum material preferido para trabalhar?

BF – Adoro madeira: ela é quente, versátil e é onde acumulei a maior experiência que tenho. Mas trabalhar com materiais diferentes é ótimo, é estimulador, instiga a busca do novo, traz desafios. Acredito que desafio é o que move um designer.

GP – Como manter-se sempre inovador e se diferenciar em uma área tão concorrida?

BF – É difícil responder com exatidão. Quando criamos precisamos absorver muita informação, e toda essa informação terá a interpretação pessoal de cada profissional, o que torna cada trabalho diferente e único. Ser exigente consigo mesmo é um ótimo começo. A célebre frase de Thomas Edison dizia ‘Genialidade é 10% inspiração e 90% transpiração’. Acho que ser curioso e dedicado é um bom começo para se diferenciar.

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